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Crónica 1 - Não vás, adeus...

- Que essência se transforma em amor quando nunca foi aquilo esperado? Toda a essência é amor, até mesmo o amor dito num adeus profundo, porque é sentido mas é um adeus... Amor ao gesto, amor ao afeto, amor a ti e a mim, amor a nós e ao outro. Amor à presença, à saudade. E olha amor, é isso...
Alberto vivia em plena ignorância pelos gestos que assistia no quotidiano, achava desnecessário vivermos para o amor e com amor. Sem que haja nada pelo meio: destruição, mágoas, distanciamento. frustração... Esquecendo a teoria do Alberto, até as laranjas são mais saborosas quando contêm sumo dentro da laranja. Lá está, vendo as perceptivas de outro ângulo, há algo de belo pelo meio das coisas não tão boas.
Vivia isolado e dispensava companhia, até sabendo que não a tinha dos mais próximos. Os amigos eram só reconhecidos para os instantes, para as festas, e para as necessidades. Noutra altura, eram desconhecidos.
Embora soubesse de todas as vantagens e desvantagens de ser isolado, reservado e desconhecido para aqueles que deseja que se sentem ao seu lado e perguntem "Como estás?". - Essência de uma conversa. Ele também sabe que quer sempre as companhias que não deve e se deseja quem não tem é porque está algo errado. Ou é ele, ou é o seu músculo que bombeia o sangue e o faz querer estar, ser, existir e presenciar. Nada é fútil para fazer sentido, quando é sentido.
- Façam de mim o ser que gostariam de ter ao vosso lado todos os dias, e se não me quiserem tornar assim, ou menos ensinem-me, chamem-me à atenção quando estiver errado e mesmo quando estiver certo, não finjam que não se aperceberam, isso conta muito, acreditem. Ralhem-me! Façam o que quiserem, mas sejam inesquecíveis quando fizerem o que fizerem. Só assim faz sentido, e é sentido...
Desejou ter a companhia de Madalena, sem saber que também desejava a companhia dele. Desatou a olhá-la como se não a fosse ver amanhã. - Essência do olhar.
- Não sejas burro Alberto, vai falar com ela! Faltam os amigos para dizer isto quando é preciso não perder oportunidades, das quais só se encontram uma e uma única vez.
Nunca antes teria visto aquela moça, e já que não a via antes, viu-a pelos dias que desejou vê-la mas ela não apareceu... Os Homens sentem-se intimidados quando as Mulheres os olham no entanto, olham como se não intimidassem de igual forma as Mulheres.
Olhou e casou-se. Casou-se na presença do olhar dela, no cheiro dela, na companhia que talvez tenha sido insuficiente, mas que teve dela. Por momentos. Só ele sabe o que significou, e ficou para ele e com ele.
Naquela altura que se casou no jardim mais bonito, desenhado ao critério do seu criativo cérebro, viu-a ir embora. E ficou. Quieto, observando.
- Esperarei por ti. Até ao dia que vieres.
Mas por enquanto:
"Não vás, adeus..."

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Continua... Na próxima Crónica.

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