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Essa dor que não me larga.

É tão grande a dor que às vezes se sente. Nem se sabe explicar, porque não é fome, nem vontade de comer... É vazio.

A uma determinada altura da tua vida começas a duvidar de tudo.
- Quem sou eu e que raios ando aqui a fazer?
Ou então:
-Porquê a mim?
Seremos nós tão ingênuos para deixar que tais coisas aconteçam? De certo modo, de ingênuos, nós não temos nada.
Dou por mim a remexer as coisas que até hoje vivi. Tanta teimosia mesmo. Faço questão. De saber por onde andei, com quem andei, porque o fiz..
Naqueles tempos não havia qualquer dúvida, parecia mais certo que o próprio certo. Até hoje, duvidarmos disso.
Nós mesmos, somos a melhor dúvida que pode existir. Será que existe melhor dúvida que: "Que ando eu aqui a fazer se a minha paragem ainda está longe? Poderei apanhar o autocarro mais perto da minha paragem." Mas assim, não viveríamos aquilo que hoje distinguímos como Certo e Errado. "Se calhar não está certo fazer isto." "Se calhar devias fazer aquilo, é o mais certo." Não somos nós quando duvidamos da nossa própria existência. Ou seremos? Seremos sempre um ser humano, mas confuso. Eternamente confuso. Até não haver mais sol para iluminar a Terra. 
E cá ando eu. Na companhia do meu Snickers procurando expressar-me para o mês de Novembro. Mês da Mana, do Pai da Amiga, do Melhor Amigo. É o que tenho até agora. Não me queixo, agradeço ter isto tudo.
Até há umas horas atrás estava a zeros. Tinha o separador do blog e a página em branco. Não sei se eventualmente me sentisse em branco, mas de facto era assim que se encontrava esta página, em branco. Que agora tem palavras que nem sempre são admitidas pelas pessoas no dia a dia. 
Sinto-me Vazia. Não é fome nem vontade de comer, mas dói. 
Devagar e parecendo que vai evoluindo, dói. 
O mais certo nisto tudo, e até aqui duvidando desta certeza, digo que anseio que a dor dure mais uns breves dias, ou semanas, na incerteza de que algum dia me vá rir da minha própria juventude.
Rir da minha própria juventude ahah que patético rir da minha figura, da minha piada. Mas rapidamente deixa de ser patético quando fazes rir a outra pessoa. De repente deixa-se o vazio de lado e o silêncio de parte e ri-se. Formando a piada. Piada essa que distraiu o piloto de pilotar o avião, o condutor de guiar o autocarro. Sem teres consciência passou a tua paragem. Tens de voltar atrás. E agora? Seremos estúpidos por voltar atrás com a palavra, com o ato, com a vida? Andar para trás, ou refazer o caminho? Eis a pergunta que ambos responderemos. Estaremos nós a julgar o nosso ato. A fazer o que está certo. 
Estou farta de achar que isto não é para mim. Essa coisa de sentir falta, não funciona comigo. Mas não querendo ser saudosista demais. Sinto falta. De pessoas, de conversas que tinha sem pensar que acabaria no mês a seguir. 
Isso de pensar 3 vezes antes de dizer que gosto de ti, dá cabo de mim. Não posso. Não digo. Não direi. Evapora a vontade de o fazer, porque não há sinal de ti. Há vazio. A fase mais difícil quando se bebe um shot, é quando tens de o engolir. Porque arde. Arde mas não dói. Na vida é ao contrário. Dói mas não arde. Então, vou aproveitar para esquecer que alguma vez bebi um shot e ardeu. Como se não doesse. Dito por palavras da vida: Isto não dói, só arde. Depois passa. Aproveita a bebida e esquece que é bebida. 

Essa dor que não me larga...

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